Mário Casimiro
A Psicanálise pode ser aprendida, mas não ensinada
Organização e apresentação de João Pedro Fróis
252 páginas
ISBN: 978-989-35957-4-9
Campanha de pré-vendas: 20% de desconto e portes de envio gratuitos (entrega estimada a partir do dia 20 de Fevereiro).
A presente obra reúne dez ensaios da autoria de Mário Casimiro (dos quais sete são inéditos), escritos entre 1966 e 1996, e dez desenhos da sua autoria. João Pedro Fróis, responsável pela sua recolha e organização, permite-nos aceder ao pensamento psicanalítico de um dos primeiros e mais proeminentes psicanalistas portugueses.
Num estilo de escrita caracterizado por João Fróis como «denso, mas directo à compreensão», Mário Casimiro trata, nestes textos, de temas caros à psicanálise, como — de entre outros — a arte, a regressão, as perversões, a agressividade ou o fetichismo, revelando um vasto conhecimento teórico e cultural. Maioritariamente concebidos com objectivo formativo ou para publicação em revistas científicas, são reveladores não só do pensamento do autor, mas também dos rumos da psicanálise portuguesa na segunda metade do século XX.
Por tudo isto, o presente livro é — também — uma homenagem a Mário Casimiro, que tendo sido, porventura, o mais discreto psicanalista didacta da sua geração, foi também dos mais brilhantes, marcando a vida de analisandos, alunos e colegas, e merecendo, por isso, um lugar de destaque na História da Psicanálise em Portugal.
“Há duas maneiras diferentes de modificar as coisas deste mundo. Uma baseia-se na técnica de prestidigitador ou de mágico, a outra, na técnica do operário ou do cientista. Uma contenta-se com a alteração das aparências, a outra exige a transformação dos fundamentos.”
— Mário Casimiro
Mário Casimiro (1925–2003)
Nascido em Maquela do Zombo, Angola, viveu em Lisboa a adolescência e a juventude, durante a Guerra Civil Espanhola e a Segunda Guerra Mundial. Teve vários mestres intelectuais, a começar pelo pai, Augusto Casimiro, militar, escritor e democrata, protagonista no movimento Renascença Portuguesa e na revista Seara Nova. A sua mãe, Judite Zuzarte Cortesão, era irmã do médico e historiador Jaime Cortesão. Mário Casimiro fez os estudos liceais no Colégio Militar. Licenciou-se em Medicina na Universidade de Lisboa (1953), onde, tal como no Hospital Júlio de Matos, foi assistente de Psiquiatria do Professor Barahona Fernandes. No final da década de 1950, por razões de perseguição política, foi afastado da leccionação e do exercício clínico em entidades públicas. Antes de partir para a Suíça, iniciou a formação em Psicanálise, continuada em Genebra com Michel Gressot e em Portugal com Francisco Alvim e Pierre Luquet. Na Suíça, trabalhou na Clinique Psychiatrique Les Rives de Prangins. No regresso a Portugal, dedicou-se em exclusividade à psicanálise, e foi um dos psicanalistas didactas mais proeminentes da Sociedade Portuguesa de Psicanálise.
João Pedro Fróis (Lisboa, 1957)
É investigador convidado da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa. Trabalhou largos anos como psicólogo na área da Saúde Mental e Reabilitação de crianças e jovens. Coordenou o Programa Gulbenkian de Investigação e Desenvolvimento Estético, bem como projectos financiados pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia. Publica regularmente na área da Psicologia da Estética, Criatividade e Artes Visuais. Tem particular interesse na História da Psicologia, da Psiquiatria e da Psicanálise. É autor de vários livros no domínio da psicologia das artes visuais — Jaime Fernandes (5 Continents, Milão, 2024), A arte da infância não é a infância da arte (Faculdade de Medicina, Universidade de Lisboa, 2025). Traduziu dois livros de Lev S. Vygotsky, publicados no Brasil e em Portugal. Foi vice-presidente da International Association of Empirical Aesthetics. É investigador afiliado do Center for Phenomenological Psychology and Aesthetics da Universidade de Copenhaga, membro do Conselho Internacional de Museus e da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental.